Ela não valia a pena, não, não valia. E tinha consciência disto. Seus defeitos eram os mais insuportáveis possíveis. Era extremamente crítica do que havia ao seu redor e de si mesma, cobrava de si uma perfeição que lhe forneceu um tanto de insanidade. Queimava de ódio apenas cm os olhos e quando sua boca não podia mais segurar a língua, distribuia navalhadas. Seu cérebro produzira drogas gratuitamente, era uma bomba-relógio, ngm sabia ao certo quando explodiria, quando sorriria e quando choraria. Pisava-se em ovos rotineiramente pra se viver cm ela. Era grossa quando mto tempo passava sozinha, também quando não tinha atenção. A carência, ao invés de lhe dar um ar frágil, lhe pedrejou a alma; não pedia carinho, fingia não precisar. Falava alto, gesticulava muito, soltava diversos palavrões, era dotada da espontaneidade e sinceridade, uma união quase sempre perigosa, união que lhe trouxe inimizades e rancores.
Da mesma forma que seu humor era intenso e variava de extremo à extremo, o sentimento não era diferente. Era capaz de amar e odiar numa fração de segundos.
Ironizava a si mesma, fazia de si um personagem ridículo de uma vida medíocre. Fumava cerca de 2 maços de cigarros por dia, aos tragos desesperados, parecia ter sede de nicotina e alcatrão. Não bebia, logo, cansava-se rápido demais quando saía de casa, o que incomodava os que a acompanhava.
Rangia tanto os dentes durante a noite que era insuportável uma noite ao seu lado. Falava alto, tanto que quando brigava, era difícil diferenciar. E brigava, e brigava, Gostava de discussão quando não estava frágil, coisa que apenas ela conseguia identificar, logo, evitava situações que a fizesse vulnerável. Não gostava de parecer frágil. Na verdade, detestava.
Gargalhava raramente. Não gostava de piadas. Se cansava fácil de pessoas prepotentes. Não gostava de elogios. Era autoritária. Era sozinha.
Não valia a pena, não. Era cansativa.
27 junho, 2007
25 junho, 2007
ah, o café.
E como todos os vícios, começou com a degustação, sente-se o prazer e pela delícia, repete-se as doses cada vez em maiores quantidades. Os efeitos colaterais da falta do uso diário caem como bombas e o caminho já não tem mais volta.
E tudo começou ha menos de 16 anos. No colo da avó, um golinho aqui, outro acolá - "bem docinho, vó". Já sofria de enxaqueca e até tratamento havia feito, logo, os goles do líquido preto amenizavam as dores insuportáveis que tinha.
A dependencia aumentou e com a maturidade e descoberta do gosto excentrico, descobriu com a mãe a maravilha que era sentir o gosto puro, amargo e tenro. - Puro, sem açucar, por favor. O adoçante não precisa, querida, obrigada.
Porém, beirando os 21, passado anos de dependencia e já nenhum efeito fazia, apenas satisfazia e não sofria a abstinência, conheceu o colapso por causa de ingerir em enormes quantidades o que te dava prazer: a overdose.
Acordou e pela pressa que tinha, esqueceu-se de se alimentar pela manhã, hábito intrinseco em sua mãe que acabou repassando à ela. Às 11 já sentia os sinais da abstinencia, sua cabeça começara a responder em dores, porém, ainda suportáveis, beliscou um pão de queijo e se esqueceu da necessidade do líquido, numa atitude dificilmente vista, foi, de fato, o acaso. No almoço, ingeriu dois comprimidos de Tylenol DC, especiais para a enxaqueca. Às 15:40, lembrou da falta absurda que havia cometido cm seu proprio corpo e correu atrás de uma padaria mais próxima... dentre goles gordos e prazerosos, lambeu os lábios e acendeu um cigarro. A quantidade ainda não era suficiente. Às 18:00 já não dava mais tempo, os olhos mal abriam e o estomago queria voltar o que continha tamanha dor. Correu para uma conveniencia, pediu um expresso e, irresponsávelmente, ingeriu dois comprimidos de Cafiaspirina, cada qual contendo 20 mg de pura cafeína.
A enxaqueca passou, porém, não precisou de mais de uma hora para seu corpo começar a responder: a tremedeira se alastrava, o corpo inteiro remexia; a palidez surgiu de repente, clareou ainda mais sua pele, se isso fosse possível e, assim, o roxo embaixo dos olhos ganharam destque. Nada conseguia fazer. A voz tremia.
Não havia nada a ser feito, era preciso esperar o corpo metabolizar a droga. E assim durou mais de duas horas de puro desespero.
Passou, noutro dia pela manhã - Vó, tem café sem açucar?
Viciava-se em drogas lícitas. Sentia prazer nisso.
E tudo começou ha menos de 16 anos. No colo da avó, um golinho aqui, outro acolá - "bem docinho, vó". Já sofria de enxaqueca e até tratamento havia feito, logo, os goles do líquido preto amenizavam as dores insuportáveis que tinha.
A dependencia aumentou e com a maturidade e descoberta do gosto excentrico, descobriu com a mãe a maravilha que era sentir o gosto puro, amargo e tenro. - Puro, sem açucar, por favor. O adoçante não precisa, querida, obrigada.
Porém, beirando os 21, passado anos de dependencia e já nenhum efeito fazia, apenas satisfazia e não sofria a abstinência, conheceu o colapso por causa de ingerir em enormes quantidades o que te dava prazer: a overdose.
Acordou e pela pressa que tinha, esqueceu-se de se alimentar pela manhã, hábito intrinseco em sua mãe que acabou repassando à ela. Às 11 já sentia os sinais da abstinencia, sua cabeça começara a responder em dores, porém, ainda suportáveis, beliscou um pão de queijo e se esqueceu da necessidade do líquido, numa atitude dificilmente vista, foi, de fato, o acaso. No almoço, ingeriu dois comprimidos de Tylenol DC, especiais para a enxaqueca. Às 15:40, lembrou da falta absurda que havia cometido cm seu proprio corpo e correu atrás de uma padaria mais próxima... dentre goles gordos e prazerosos, lambeu os lábios e acendeu um cigarro. A quantidade ainda não era suficiente. Às 18:00 já não dava mais tempo, os olhos mal abriam e o estomago queria voltar o que continha tamanha dor. Correu para uma conveniencia, pediu um expresso e, irresponsávelmente, ingeriu dois comprimidos de Cafiaspirina, cada qual contendo 20 mg de pura cafeína.
A enxaqueca passou, porém, não precisou de mais de uma hora para seu corpo começar a responder: a tremedeira se alastrava, o corpo inteiro remexia; a palidez surgiu de repente, clareou ainda mais sua pele, se isso fosse possível e, assim, o roxo embaixo dos olhos ganharam destque. Nada conseguia fazer. A voz tremia.
Não havia nada a ser feito, era preciso esperar o corpo metabolizar a droga. E assim durou mais de duas horas de puro desespero.
Passou, noutro dia pela manhã - Vó, tem café sem açucar?
Viciava-se em drogas lícitas. Sentia prazer nisso.
16 junho, 2007
então calo-me até a última hora, aquela em que meu corpo já não consegue mais conter tanto ardor; mas se for preciso meu sangue, o derramarei, pois a inquietude é, de todas as dores, a maior, mais intensa e perturbadora que já provei. que do térreo, meu bem, nem os pés fincados em terra vermelha eu quero, quero apenas a cor e o cheiro, os pés eu deixo. ah, os pés... os que me lembraram tantas vezes das agulhadas em que me atentei, que me tiraram um tanto dos risos e que me fizeram enxergar o que não agrada à alma. fiz-me assim, de pé, com o pé. mas já não adianta mais os deixar, ficou intrínseco no meu ser a sensação opaca do crescer.
puro, por favor.
e como de praxe, provava tudo sem sal ou açucar, nem mesmo os adoçantes, pois o que a satisfazia era sentir o gosto tenro, verdadeiro, bom ou ruim.
de todos os prazeres, o único em que fazia teus olhos brilharem era o de provar de tudo e todos e sentir, assim, o que havia de verdadeiro. quando não, os músculos respondiam numa ação um tanto estranha de contorcerem-se diante da negação; não queria tempero, queria cru, frio ou quente, mas que não fosse morno, ou lhe ardia os dentes de tanto gelo ou lhe queimaria e despelaria o céu da boca tamanha temperatura.
com os olhos famintos, olhava o mundo como se o quisesse ter na boca; digestão nunca foi uma ação muito fácil, mesmo vomitando depois, sorria e dizia "agora sim, vou adiante!".
de todos os prazeres, o único em que fazia teus olhos brilharem era o de provar de tudo e todos e sentir, assim, o que havia de verdadeiro. quando não, os músculos respondiam numa ação um tanto estranha de contorcerem-se diante da negação; não queria tempero, queria cru, frio ou quente, mas que não fosse morno, ou lhe ardia os dentes de tanto gelo ou lhe queimaria e despelaria o céu da boca tamanha temperatura.
com os olhos famintos, olhava o mundo como se o quisesse ter na boca; digestão nunca foi uma ação muito fácil, mesmo vomitando depois, sorria e dizia "agora sim, vou adiante!".
13 junho, 2007
Das entrelinhas, um berro.
De toda a ignorância que me rodeia, aprendi a expressar-me nas entrelinhas por pura necessidade de expandir de alguma forma todo aquele ardor e comoção que me envolvia. Num lapso inexplicável de preservação de história (ahn?), tentei dizer a todos como era ser o esquecido. Porém, de algum tempo pra cá, talvez não saiba desde quando, esqueci-me do sorriso amarelo estampado no rosto para, então, esconder-me de algo ainda mais doloroso: os questionários intermináveis. Deixei me levar pela verdade estampada, na cara amarrada, na gargalhada exagerada, no olhar vazio, na respiração distante. Só esqueceram de me dizer que ser movida pelo intenso sentimento, seja lá qual for, é de uma responsabilidade ilimitada e que traz consigo diversas consequências, as quais quase nenhuma amigável. Da sinceridade ácida, consegui antipatia dos protetores do "não à crítica"; dos tantos "pq's" tirei a incompreensão; dos olhares profundos e sorrisos sutis verdadeiros, tirei a apatia, tão dolorosa quanto queimadura de terceiro grau e seu respectivo cheiro; da ira produtiva, tirei, de fato, inimizades.
Assim, então, conheci a ignorância por opção, um dos sentimentos mais belos que á vi desde que passei a trabalhar a aceitação de que a cegueira opcional é, de fato, o caminho mais fácil pros sorrisos exigidos constantemente.
Assim, então, conheci a ignorância por opção, um dos sentimentos mais belos que á vi desde que passei a trabalhar a aceitação de que a cegueira opcional é, de fato, o caminho mais fácil pros sorrisos exigidos constantemente.
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Já dizia certa amiga minha que qualquer ser humano é e sempre será conflitante. É então, nesta frase tão simples que deposito toda a minha esperança inquieta de um sorriso sutil numa tarde ensolarada, rodeada de árvores.
Mensagem do novo.
Na TV, com o controle remoto, controlo o que meus olhos não procuram, tampouco meus ouvidos.. passo de canais em canais, dos anais aos brutais; das normas de conduta à violação da "ética"; d canal futura ao, recém extinto, pelo menos daqui, sexy hot. Nada me agrada. Tomo minhas pílulas da normalidade, pra eu me enquadrar aos padrões necessários da sociedade, assim, pra descer melhor, tomo aquele suco com 0% lactose e caloria e belisco as mini cenouras, os novos snacks pra uma vida saudável. Deito-me com o aquecedor de ambiente ligado, já que o frio que sinto é incalculável, pra distrair-me e desligar-me das mazelas rotineiras, pressiono o botão do meu MP3 PLAYER, ouço o que, enfim, agrada os meus ouvidos e surge, então, um sorriso sutil. Pra não me sentir sozinha, abro o flip do meu celular e mando uma mensagem multimídia contendo alguma foto de alta resolução do meu celular, qualquer foto pra qualquer pessoa, assim, sei que alguém ao menos leu meu nome ao final da noite.
Assim, vivo rodeada pelas últimas 'necessidades' tecnológicas do mundo atual. E quando sinto falta de ouvir barulhos típicos de algo que tenha vida e que possua em si algum tipo de sentimento, por mais que eu não saiba identificá-lo, me atento aos sinais do gato persa com pedigree que ganhei tempos desses e, assim, crio um sentimento que causa estranheza às pessoas por um bichano repleto de pelos que, por incrível que pareça, evacua num quadrado de plástico, este que é revestido de pedras ultra higienicas e com total absorção para não ocorrer qualquer risco sequer de fedor pelo ambiente.
E solidão é só impressão.
Assim, vivo rodeada pelas últimas 'necessidades' tecnológicas do mundo atual. E quando sinto falta de ouvir barulhos típicos de algo que tenha vida e que possua em si algum tipo de sentimento, por mais que eu não saiba identificá-lo, me atento aos sinais do gato persa com pedigree que ganhei tempos desses e, assim, crio um sentimento que causa estranheza às pessoas por um bichano repleto de pelos que, por incrível que pareça, evacua num quadrado de plástico, este que é revestido de pedras ultra higienicas e com total absorção para não ocorrer qualquer risco sequer de fedor pelo ambiente.
E solidão é só impressão.
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