20 fevereiro, 2011

me faço em muitas
e me despedaço aos poucos.
grito aos tantos,
sou o que decido na hora,
o que quero.
se resolve sangrar, deixo escorrer,
ladeira abaixo...
não me escondo.
se a carne é viva, deixo pulsar,
pra quem quiser ver.
é a verdade, sou crua, sou viva,
to nua na vida.

16 fevereiro, 2011

tinha 19 pedras nas mãos,
prontas, bem firmes.
estava armada e com sangue nos olhos.
respirou e conteve seus sentimentos.
continuou armada.
prometeu nunca mais se despir,
em carne viva, ficava muito frágil...
... sem muro, desprendia muito de si
e nada tinha. sentia mto, de tudo,
era tanto e quando olhava, continuava no raso.
apertou bem as pedras, até que machucassem
as mãos frágeis, queria que fizessem cortes reais,
cicatrizes visíveis, pra nunca mais esquecer.

15 fevereiro, 2011

a arte de sorrir enquanto sangra.
tinha o costume de permitir que levassem alguns
anos de sua ingenuidade quando fossem embora.
olhou no espelho e tinha envelhecido 7 anos.
passou as mãos na pele e sentiu que algo estava errado.
pelo menos havia algum sentimento, algo tinha tocado.
independente de tristeza ou alegria, algo ali tinha remexido.
ao menos ela sentia. já não buscava só alegria, queria sentir,
qualquer coisa que fosse, queria sentimento.
'você sente? mexe com você? te toca?"
a apatia tinha ido embora. a respiração estava descontrolada,
a trilha sonora errada.
"pra que entender?", já era tarde. algo se perdeu no caminho.
talvez o enquadramento estivesse errado,
o branco estourado, as cores não satisfizeram.
tropeçou em 9 palavras enquanto perambulava pelo quarto,
molhou outras 4 com lágrimas e deitou.
o lado esquerdo estava vazio. virou-se pro outro lado e rezou baixinho,
queria dormir logo.


11 fevereiro, 2011

entre raios e trovões, ninguém se salvou.
na verdade, era tudo mentira.
ninguém sobrevive por muito tempo no caos.
"senta, pega um cigarro, chama pra cá aquela marrenta"
(....) "ela foi buscar a sandália de couro, que tava estourada, caminhou
por tantos anos com a mesma, tentou recuperar. caminhou por ruas
dificeis, enfrentou buracos, acelerou, desacelerou, concretos,
infernos, caiu, machucou o rosto em muro chapiscado,
caiu no asfalto, se levantou, sorriu, sambou, coloriu,
acinzentou, pixou muros, gritou, enquadrou, fez rima,
desnorteou, provocou. agora ela tá de tênis"

09 fevereiro, 2011

tava na hora de trocar os generos,
pq tudo é confusão, mesmo não parecendo.
já que muro tombou,
o morno se instalou,
o concreto trincou,
a ferida não cicatrizou,
vamos brincar de confundir tudo de vez,
tá molhando só até a canela,
nao satisfaz.

05 fevereiro, 2011

se tá dificil de enxergar o que vem,
pára, respira e observa a luz no reflexo.
engata a primeira, acelera e vai.


ali no espelho tem escondido o rosto que fotografa.
vc nao vê, mas eu sei e isso basta.

04 fevereiro, 2011

ela samba no escuro,
grita pro mudo,
chora escondido,
tem um pedido contido.

02 fevereiro, 2011

se eu perco o foco, não tem problema,
te enquadro no meu quadro,
fecho o colorido e tá tudo bem.
se eu estouro o branco, perco no preto e branco,
acabo no cinza, não tem problema,
te quero no meu quadro, do lado esquerdo,
te foco aqui e desfoco o resto.