29 dezembro, 2007

permiti o vento tocar minha pele pra, talvez, te sentir mais uma vez. abri um sorriso sutil. vaguei meus olhos pelas ruas vazias, numa esquina qualquer, sequer ouvi tua gargalhada, quem dirá me encontrar com olhos teus.
que tipo de história ficou?
serei ouvinte das mais novas narrativas e dos mais novos cheiros e sorrisos que ocorrerão pelo caminho e, talvez, numa noite suave de brisas leves, deixe de contorcer meus músculos num lapso insano de conter lembranças profundas de um porão obscuro. se me faltasse cautela...
em que mar se perdeu teu sorriso?
resolvi acreditar num futuro de luzes, aonde caminharei e acertarei o rumo que levaria esse romance de bar, de roda qualquer, de esquina de bairro.
ouvi por longos minutos o nome que sangrava dos ouvidos, passaram-se, talvez, vidas, e já não vejo. tento por alguns dias buscar algo que me leve pra um abraço distante, algo que por alguns outros longos minutos me levou à proteção mais bonita em que saiu dos poros.
o brilho das pupilas, me diziam. algo ficou opaco. joguei ali, naquele canto, naquele escuro, embaixo dos tacos que revestem o chão, nos vãos, com poeira e migalhas - o que me restou depois de uma tarde de olhos perdidos e contensão de gotas que me salvariam a alma. se o grito alarmasse... nem sequer tesouradas na pele demonstrariam tal castelo caído. fiz, de fato, dos pedaços um outro, qualquer quem sabe, mas fiz. reconstrui de maneira instintiva o que tinha ao alcance. amarguei por longos dias, não sei bem, tentei contar, nem sequer lembrei. contive as mais dolorosas palavras e gargalhei aos olhos alheios. e foi assim que te escondi, não na caixa mais escura, mas cinza e com meia - luz, pra que não me deixe fugir do olfato o som mais macio de uma única gargalhada.
já não sou aquela, sou essa, de migalhas das muralhas construi um exército fraco, porém, corajoso e te deixei caminhar pro caminho que lhe coube.
talvez este seja mais um rascunho de uma despedida forçada, ou a despedida, de fato. o que pipoca aos meus olhos já não posso controlar, te estendo a mão e peço pra que siga, mesmo sendo egoista o suficiente pra te perturbar a alma, mas me desfiz de sentimentos de posse ha um belo tempo.
derramara 27 dias o sangue amargo que surgia das facadas com que destruira seu corpo. correu teus olhos pelo corredor e nada enxergou. gritou, gritou, gritou.. sentira o gosto do azedo na língua que contorcia e teimava no desejo de invadir a garganta.
deixava teu corpo responder à dor de forma inconsciente enquanto dormira, mas não deixava uma lágrima cair diante de juízos alheios.
sentou e abaixou a cabeça, deixou que mordesse seus joelhos, mas não conseguira estremecer seu próprio chão.

26 dezembro, 2007

do dia VINTE E TRÊS DE DEZEMBRO:

algo correu pelas pupilas...uma estranha curiosidade, um pensamento corriqueiro, novas dúvidas e velhos sonhos. como se me faltassem descrições para tais. passei a mão pelo maço, botei fogo no quinto cigarro de uma hora e meia. já não me importo o quão meus dedos cheiram mal pelo vício adquirido logo cedo e se não fosse ele, a tensão noturna acabaria de qualquer jeito com os dentes que surgem no sorriso.o qual estampa meu rosto cansado quando noto a diferença gritante. e somos assim, exatamente o que desejaram que não fossemos, o que os sonhos renegaram, o que o destino desenhou, o que os olhos disfarçaram. somos o tapa na cara de todos, o ódio e a curiosidade do olhar, o motivo do sorriso hipócrita e amarelo. o que menos queriam que fossemos.passei anos incomodada, agora eu gargalho pra te fornecer mais um tapa nessa cara amarrada.
do dia DEZESSETE DE DEZEMBRO:

vem que eu to cm a lama nas mãos,pronta pra sujar todas as paredes.vem que eu sinto vontade de jogartudo no chão, quebrar os copos e osporta-retratos, sujar as paredes, escrevernomes sujos.to pronta pra gritar no seu ouvido frasessem sentido, de extremos, de um e de outro,num lapso de [in]sanidade.já sinto cheiro, mas pouco vejo. meu corpo tremea noite, pede sossego.
do dia ONZE DE DEZEMBRO:

se é difícil pra vc entender, imagine pra mim,que tenho a sujeira nas pupilas.mas já não me importo em explicar sobrea água sanitária que vive em cima da mesa.os detalhes eu deixo por sua conta, já nãome fazem tanta diferença já que o céu ficounublado.e assim eu fico, olhando a lama, o cinza.racionalizando sensações, coisificando sentimentos,petrificando lágrimas e lavando sorrisos.já não me importo mais com explicações,os objetos que não são meus eu não vou levantar, mesmotendo força suficiente pra fazer isso.
do dia SETE DE DEZEMBRO:

não queira briga de dedos e teclados,eu sei cutucar nas entrelinhas e te tirar o chão. não queira duvidar dasquímicas que moram no meu cérebro, pq elas, nem eu mesma controlo e elassão jorradas suficientemente pra euperder a consciencia e cometer um atode violência. não se iluda com o rostoe o olhar de frágil, pq eu sei estremecer teuego, eu tenho o controle, eu sempre tivee não duvide de nada, não me desafie, abaixeessa cabeça de idéias rasas pq é doprofundo que eu gosto, e eu sei que se eu forvou pixar as paredes, desorganizar suas coisas,pintar as paredes de cinza, escurecer teu céu.então, não duvide, eu sei que eu posso, eu seio tamanho da minha insanidade.
do dia UM DE DEZEMBRO:

essa briga não é minha se vc não me permitir,eu não vou entrar e abrir a janela se vc não prometerque não fechará quando chegar. eu quis deixar a luzentrar, mas vc teimou. tentei organizar, mas vc jogoutudo no chão. vc foi passando todo esse tempo e eu fuiatrás, recolhendo pra mim tudo que vc jogava, varrendotodas as migalhas mas sempre ficou alguma coisa que eu não vi, tentei avisar, mas vc não ouviu. eu parei, agora espero vc me chamar pra caminhar ao seu lado,pra não deixarmos a sujeira incomodar, mas pra issovc tem que querer, já não vou mais insistir.tenta olhar meus sinais, nunca me importei em deixartudo organizado, sempre soube que posso, mas agora é horade vc deixar, pq essa briga que vc tá comprando, não éminha se vc não me deixar entrar.
do dia TRINTA DE NOVEMBRO:

caí, cheguei até o fundo, mas peguei impulso.é sempre assim, vou até sentir o rosto no chão,na sujeira. to tirando o ardor do rosto, mas o fogovem cinco vezes maior e é preciso coragempra querer enfrentar. tem que ser forte praolhar nos olhos. tem que poder pra aguentar, tem que ter coragem
do dia VINTE E NOVE DE NOVEMBRO:

corra, corra, corra, incansavelmente, corra.atente-se, perceba, fuja.eu já fui ali, já senti o submundo, eu te falo,vá atrás das cores, o cheiro não é agradável,o cinza é doloroso, a sujeira rasga o corpo, fazsangrar. menina, corra. vá abraçar o verde, azul,as flores, corra. eu já passei por ali, deixei tudodesorganizado, baguncei os móveis, sujei o chão,pintei as paredes de cinza, eu passei por ali, nãodeixei sequer amarelo.corra pra areia, pro sol, pro verde das folhas,pro azul do céu, eu passei ali, pixei as paredesde nomes sujos, vc não vai querer deitar seu carinho ali.vc tem brilhos nos olhos, sorriso estampado,eu passei ali, deixei opaco, áspero, não leve issopra dentro de vc. eu confundi tudo, criança, vc não vaiquerer derramar teu sorriso.
do dia VINTE E SETE DE NOVEMBRO:

se já me faltam palavras sobrando.na verdade, tudo sobra, transborda e escorre do controle.sempre foi simples saber que tenho a tua mão pra segurare que se assim for sempre, tudo será bem mais confortável.pq vc sou eu, só, é simples. nem metade, é tudo junto numa coisa só
talvez tivesse no sobrenome algo que lembrasse a palavra provocação. seus braços tinham vida própria, o brilho do olhar arrastava multidão, porém, da boca pequena e levemente carnuda, voavam pedras.
não sabia separar o que te fazia mal, tanto que não pudera absorver, indagava tal dor na boca do estomago, deitava e dormia. se renovava. buscava nos concretos algum ramo do verde; caminhava no sertão de sujeira algo que te remetesse à água sanitária que colocava brilho no sorriso.
correu teus olhos pelo deserto, esticou os braços e chamou.. tivera como retorno sua própria voz distorcida pelo eco. gargalhou e deu boas-vindas à solidão.

25 dezembro, 2007

e se a aparencia criasse barreiras pra conhece-la, já desfazia de seus escrupulos. detestava a audácia do preconceito velado.
não se contentava apenas com a carne. era profunda e intensa, queria a alma.
não apenas sentia o toque, ía fundo no olhar, buscava respostas nas pupilas dilatadas. sorriso era vago, queria sentir o motivo na alma de tamanha felicidade.
tinha lágrimas como clichê, um vento produziriam-nas, queria que a tristeza lhe arrancasse a pele, atrofiasse os músculos, lhe cortasse os pés.
não era do tipo de mulher que apertava qualquer coisa cm as mãos, que pedia pra não ir, que pedia pra ficar.
não se sabe ao certo qual era o tipo de mecanismo que corria em teus olhos que não derramava uma só gota ao ver partidas. talvez a muralha que criara em frente à sua doçura a impedisse de se sentir vulnerável ao ponto de demonstrar suas fraquezas às pessoas.
esticara os braços e dissera - vai, segue teu caminho, procura teu soriso.
sabia que fornecia angustias, dúvidas e confusões. era inevitável, seu cérebro produzira substancias incontroláveis que te remetiam a atitudes incalculável e inesperadas. era assim, imprevisível, sofrera vidas por tal característica, agora põe um sorriso no rosto e caminha por caminhos que escolhe caminhar.

23 dezembro, 2007

vou descrever ao pé do seu ouvido como é chegar até o inferno, bater na porta e não entrar. como é que cutuca o corpo cm dores musculares quando as agulhas perfuram a pele; como é quando teus olhos ardem por causa do líquido ácido que invade e queima as pupilas; qual a sensação de unhas rasgando o coro cabeludo e a lâmina raspando pela língua.
porém, tbm vou discorrer como é voltar levantando fogo por onde se passa numa fração de segundos.