13 junho, 2007

Mensagem do novo.

Na TV, com o controle remoto, controlo o que meus olhos não procuram, tampouco meus ouvidos.. passo de canais em canais, dos anais aos brutais; das normas de conduta à violação da "ética"; d canal futura ao, recém extinto, pelo menos daqui, sexy hot. Nada me agrada. Tomo minhas pílulas da normalidade, pra eu me enquadrar aos padrões necessários da sociedade, assim, pra descer melhor, tomo aquele suco com 0% lactose e caloria e belisco as mini cenouras, os novos snacks pra uma vida saudável. Deito-me com o aquecedor de ambiente ligado, já que o frio que sinto é incalculável, pra distrair-me e desligar-me das mazelas rotineiras, pressiono o botão do meu MP3 PLAYER, ouço o que, enfim, agrada os meus ouvidos e surge, então, um sorriso sutil. Pra não me sentir sozinha, abro o flip do meu celular e mando uma mensagem multimídia contendo alguma foto de alta resolução do meu celular, qualquer foto pra qualquer pessoa, assim, sei que alguém ao menos leu meu nome ao final da noite.
Assim, vivo rodeada pelas últimas 'necessidades' tecnológicas do mundo atual. E quando sinto falta de ouvir barulhos típicos de algo que tenha vida e que possua em si algum tipo de sentimento, por mais que eu não saiba identificá-lo, me atento aos sinais do gato persa com pedigree que ganhei tempos desses e, assim, crio um sentimento que causa estranheza às pessoas por um bichano repleto de pelos que, por incrível que pareça, evacua num quadrado de plástico, este que é revestido de pedras ultra higienicas e com total absorção para não ocorrer qualquer risco sequer de fedor pelo ambiente.
E solidão é só impressão.

Nenhum comentário: