16 abril, 2009

- oi, quis lhe escrever muitas vezes mas tudo foi rápido, você não imagina como.
quanto tempo se passou daquela manhã dolorida? não sei exatamente.
lembro da tarde em que você veio e parecia se despedir. vi algumas manchas
no seu rosto mas preferi não questionar.
ainda sinto falta da sua gargalhada, da sua sagacidade, do seu abraço. lembro
que meus braços quase se juntavam, vc era só osso. sempre foi. osso e beiço.
espero que não doa mais aquelas munições que perfuraram seu corpo.
sinto sua falta.
já não tenho mais contato com aquela turma imensa.
avistei o bruno na padaria, eu estava longe e nem mexi. o danilo é pai de uma
menina linda e o dirceu continua mancando por aí! sim, ele está exatamente o msmo,
falo de vez enquando. moisés quase nao vejo, sei que casou e também tem uma menina.
acredito que não mantenho contato com as meninas?
os rumos eram diferentes, chegou um momento que não falávamos a mesma língua.
kauê da janinha tem oito anos e olhos imensamente azuis. ele é igualzinho a mãe. vi fotos.
pasme, a angrinha tá grávida. janinha me contou que é uma menina. nos falamos pela
internet, vc ia gostar. todo mundo por ali se fala, mas quase ngm se vê. a aline continua
na igreja, vi em fotos que namora outro moço, não casou nem teve filho.
e eu, ah, eu... continuo baixinha, meu cabelo é o msmo (a cor), nunca mexi nele. agora tenho
tatuagens pelo corpo. pinto as unhas e uso um alargador. lembra que nem brinco eu usava?
morei em outra cidade um tempo, mas tive que voltar. quase fui internada em hospicio.
passei a tomar um monte de remédio e frequentar psiquiatra mensalmente. psicologo semanalmente. não sei o que ocorreu. minha mente resolveu pifar. larguei duas faculdades,
agora sofro com os pensamentos sobre o que ser quando crescer, mas já cresci, não na altura,
claro.
lembro de vc sempre. vejo seu pai pela rua, indo pra casa, creio eu. sempre no final da tarde.
não sei se o tempo ou se o sofrimento, mas o olhar dele me parece cada vez mais distante e frio.
o adidas hemp não vende mais, procurei um tempo, mas foi em vão. nunca mais voltamos
ao sítio e as ruas do bairro sempre estão muito vazias.
sinto falta de te encontrar subindo a rua de casa, cm o gingado malandro e cantarolando um rap.
aquela baladinha dominical não existe ha mto tempo e ninguém mais anda de bicicleta ou patins por aqui.
espero que não sinta mais dor, que suas mãos não estejam mais geladas e que seus lábios estejam secos. espero que a voz ainda saia e o sorriso ilumine o lugar que tiver,
sinto saudades.

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