21 março, 2009

na horizontal, na vertical,
só concreto, pura poeira,´
apenas desgaste, sujeira, sujeira.

cidade de subsolo,
um submundo.
da janela sem horizonte,
do grito mudo,
da visão cinza.

14 março, 2009

um bando de palavras mal ditas, malditas,
pra digerir.
haja ajuda.
5 dias de grito ardido da dor,
era só a tradução.
na febre a gente delira coisas certas.

01 março, 2009

por essas mentiras ditas,
por essa imagem fingida,
por essa boca maldita,
por esses ouvidos mofados.

por essas palavras tardias,
por esses braços vazios,
por esse olhar tão opaco.

por tanto, por pouco, os berros amargos,
as palavras afiadas, o querer navalhado.
o grito do pouco, do nada, do quase, do raso.

24 fevereiro, 2009

se me fosse possível o mínimo de raciocínio,
o mínimo de razão,
o mínimo de palavras rimadas,
ousadas, que drenem o mínimo possível.
pq foi tudo mínimo, tudo pouco, tudo raso,
tudo opaco.
se não me faltasse voz.
queria gritar palavras navalhadas nesse ouvido
surdo que a vida lhe deu.
calou quais palavras? abre essa boca mofada
e diz o que vem à mente. esconde alguém
dentro de tanto concreto? desfaça
essa armadura, ninguém aqui tá armado.

o que me sobra é o ardor
da falta. pq te falta tanto
que, por fim, não é nada.
então diga que não quis,
que não quer,
que já foi, que não haverá mais.
mande-a guardar as mentiras,
mande-a sumir,
te esquecer, não te ver,
te evitar, não aparecer.

mas depois remoa-se de vontade
pra saber em que passos vai,
qual samba te faz requebrar,
quais palavras resolve usar,
se ainda adormece cedo,
quais cores resolveu registrar,
se lida bem com a solidão.

23 fevereiro, 2009

não vou dizer que é simples,
que não dói,
que não me perdoo por pensar,
que vai passar rápido,
que vou aceitar,
que, paulatinamente, eu não me destruo.
também não direi que não foi um erro,
que não me arrependo.
vivi pra me arrpender, pra me martirizar.
e me vejo em dois extremos, mais uma vez, dei o que reservei por muito tempo e, involuntariamente, as lágrimas escorrem tentando drenar a dor que se esconde