17 março, 2011

só fica quem tem muita força,
só fica quem tem muita coragem,
só fica quem quer muito,
quem aguenta, quem pode.
narciso não entra, não suporta,
esse mundo não é feito de espelho.

16 março, 2011

a estatistica não mente.
tá me olhando de longe,
me analisando por onde pode.
são vestígios que eu deixo
e vc pega. faz o que com elas?
tenho uma caixa cheia de interrogações,
quero ver se vc aguenta.

de longe é muito mais fácil.
pela janela, a interpretação cabe
a quem assiste. é mais gostoso,
o sabor é outro, vc escolhe.
de perto, ninguém aguenta.
nem vc, nem ninguém.
tudo se mistura, minhas cores são muitas,
a leitura é confusa.

09 março, 2011

uma mente analítica, sem estímulos.

08 março, 2011

respiração ofegante, descompassada,
descompensada. os musculos estão tensos,
é raiva. é raiva do nada, do raso, do pouco,
do oco, do eco.
raiva do zero.

crio cenas, invento situações.
é raiva da imaginação.
é falta do real. de mãos, de olhar,
de verdade. eu quero beber segunda feira,
quero comer palavras, olhar cheiro.
eu quero sempre o que não existe.
é raiva do nada.
de ser tão óbvia. de não ser óbvia.
de não saberem ler. de querer endurecer e não conseguir.
é o nada que me acaba.
que tanto foi, de perto, nada é.

abre, enfim, essa boca que trava,
que guarda, que esconde. quem sabe?
grita aqui, de vez, tá guardando pra quem?
tá com medo de que, de quem?
tanto tato pra nada.
eu quero o direito e o esquerdo, o que existe de bom e o de ruim,
grite, enfim, o que não agrada.
derrete em mim o doce, enfim.
vem cá.
as mãos estavam trêmulas, impacientes,
dentro do tênis, os dedos dos pés não paravam de se mexer...
... mordia os lábios como se fosse arrancar sangue,
falava, falava, falava e gargalhava.
coçava a cabeça e andava de um lado pro outro.
falava alto, voltava e ria.
com a mão direita, pegava mais um cigarro, já passando a mão esquerda
nas pernas, tateando os bolsos da calça, procurando o isqueiro.
os olhos corriam por todos os lugares, olhava nos olhos de cada um,
colocava as mãos na cintura, desarrumava o cabelo, coçava mais um pouco
a cabeça e tragava o cigarro como se ali houvesse carinho.
gargalhava. forçava sorrisos. continuava olhando como se questionasse
tudo que era dito.. 'é verdadeiro?'
as pupilas estavam dilatadas. não queria falar dela. não queria pensar
nela. nas amigdalas guardou algumas lágrimas e duas saudades.
respirou fundo e sentiu frio.
'não to aguentando minha mente. tá ligada no 220, não consigo controlar'
mas não queria dizer o que era.

07 março, 2011

o muro está pela metade.
dia a dia, alguns tijolos são acrescentados.
ha uma duvida de que esteja endurecendo, de fato,
como nunca esteve antes.

02 março, 2011

existem 593 palavras presas nas minhas amigdalas.
uma vez por semana, elas teimam em sair, eu as prendo
e as amigdalas ameaçam inflamar. não as quero escorrendo pelos
meus lábios. elas não vão aguentar muito tempo.