respiração ofegante, descompassada,
descompensada. os musculos estão tensos,
é raiva. é raiva do nada, do raso, do pouco,
do oco, do eco.
raiva do zero.
crio cenas, invento situações.
é raiva da imaginação.
é falta do real. de mãos, de olhar,
de verdade. eu quero beber segunda feira,
quero comer palavras, olhar cheiro.
eu quero sempre o que não existe.
é raiva do nada.
de ser tão óbvia. de não ser óbvia.
de não saberem ler. de querer endurecer e não conseguir.
é o nada que me acaba.
que tanto foi, de perto, nada é.
abre, enfim, essa boca que trava,
que guarda, que esconde. quem sabe?
grita aqui, de vez, tá guardando pra quem?
tá com medo de que, de quem?
tanto tato pra nada.
eu quero o direito e o esquerdo, o que existe de bom e o de ruim,
grite, enfim, o que não agrada.
derrete em mim o doce, enfim.
vem cá.